Dra. Giovanna Dimitrov
CRF SP 15.794
Consultoria Farmacêutica e Treinamentos

Gestão Farmacêutica

         As drogarias hoje são mais que estabelecimentos de dispensação e comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos em suas embalagens originais. As drogarias são empresas voltadas à saúde da comunidade e para chegar a dispensação é necessário entender a gestão farmacêutica.

 

         A gestão é basicamente como administrar a drogaria para gerar resultado. A gestão farmacêutica envolve princípios da administração, que por sua vez, envolve números. A matemática é imprescindível para uma boa administração.

 

         A necessidade prática e o objetivo deste artigo não é que o farmacêutico ou o farmacista entendam tão bem de finanças e contabilidade quanto um administrador, mas que esse conhecimento possibilite uma correta análise da situação da empresa. Uma drogaria deve ter números saudáveis para sobreviver e crescer.

 

         Em termos contábeis e financeiros, lucro reflete a diferença entre as receitas (entradas) de vendas de produtos e serviços, obtidas por uma empresa em um determinado período, e os custos e as despesas (saídas) correspondentes ao mesmo período.  Para uma drogaria ser viável como empresa o calendário de datas deve ser observado. Isto é, primeiro entra dinheiro para depois sair dinheiro.

 

         O custo e as despesas são os gastos relativos aos bens ou serviços. Exemplos de custo são as compras de produtos, salários, contas de telefone e muitos outros. Se retirar do lucro bruto as despesas totais, obtemos o lucro operacional.  

         Vários são os autores que consideram os custos, gastos e despesas como palavras sinônimas. Porém sem uma confirmação convincente.

         Uns consideram como sendo o conjunto de vários gastos para uma empresa efetuar a  venda  de um produto ou a prestação de serviço. Outros consideram como investimento feito para se obter uma utilidade, o mesmo que custo, despesa.

         O gasto pode ser definido como o dispêndio financeiro que a entidade arca para a obtenção de um produto ou serviço qualquer.

         O custo, em sua essência, é um gasto quando de sua utilização nos fatores de produção de bens e serviços. O consumo de energia elétrica, por exemplo, é um gasto na hora de seu consumo.

         As despesas, assim como os custos, foram ou são gastos. Porém há gastos que, muitas vezes, não se transformaram em despesas, por exemplo, elemento do Ativo Permanente Imobilizado, como terrenos, que não são depreciados, mas  na sua manutenção será uma despesas no ato da venda. Isto facilita verificar a definição de despesas como aqueles itens que diminuem o Patrimônio Líquido e que consequentemente têm essa característica de ser um dispêndio no processo de aquisição das receitas.

         Mas e o “Custo das Mercadorias Vendidas” representa um dispêndio na apuração da receita? De fato sim, no entanto, de acordo com o autor Eliseu Martins, a terminologia é errada e deveria ser chamado de “Despesas das Mercadorias Vendidas”, por se tratar de um elemento redutor na apuração de resultado.

         Em suma, todos os custos que foram ou são gastos se transformaram ou transformarão em despesas, quando da entrega ou consumo de bens ou serviços para obtenção de receita. Vários gastos são transformados diretamente em despesas, sem terem sido custo, outros não, passam a ser custo e depois se tornam despesas. Ou seja, há uma evolução entre gasto, custo e despesa, sem que necessariamente sigam todas as etapas. Podendo o gasto tornar-se investimento, custo e finalmente despesa, ou simplesmente de gasto passar a despesas.

         O gasto pode se transformar em uma despesa, sem ter sido anteriormente custo, o exemplo são as depreciações das máquinas, onde a sua aquisição inicialmente é classificada como um gasto para empresa, ao passar do tempo com o desgaste (depreciação), tornam-se despesas.

         Os gastos que geram benefícios são chamados de investimento. A compra de computadores ou a reforma da loja são exemplos de investimentos. Os investimentos são lançados contabilmente como despesas de depreciação, com uma parcela do investimento inversamente proporcional à vida útil do item. Por exemplo, um computador adquirido por R$2.000,00 com uma vida útil esperada de três anos terá uma despesa mensal de depreciação de R$55,55 (=2.000/36 meses).

 

         Os números devem ser organizados para obter uma demonstração do resultado do exercício ou DRE. Segue modelo:

 

 

ITENS

MÊS CORRENTE

Valor

 

 

 

RECEITA

RECEITA OU MOVIMENTO DO CAIXA

 

 

 

 

IMPOSTOS S/

ICMS

 

VENDAS

S. FEDERAL (PIS / CONFINS / IR / CONT. SOCIAL).

 

 

 

 

RECEITA LIQUIDA

 

 

 

CMV

CUSTOS C/ PAGTO DE MERCADORIAS (INCLUIR JUROS)

 

PRÊMIOS SOBRE VENDAS

 

 

 

 

MARGEM CONTRIBUIÇÃO

 

 

 

 

PRÓ-LABORE

 

 

SALÁRIOS

 

DESPESAS

PROVISIONAMENTO 13º SALÁRIO

 

OPERACIONAIS

VALE REFEIÇÃO - VALE TRANSPORTE – ETC

 

PESSOAIS

ENCARGOS INSS

 

 

ENCARGOS FGTS

 

 

 

 

 

 

 

 

ALUGUEL DAS MAQUINAS CARTÃO CREDITO

 

 

ESCRITORIO CONTÁBIL

 

 

ESSESSORIA JURÍDICA

 

DESPESAS

CURSOS E TREINAMENTOS

 

OPERACIONAIS

ASSOCIAÇÕES - CONSULTAM DE CHEQUE

 

ASSESSORIAS

PROPAGANDA E PUBLICIDADE

 

 

SUPORTE / MANUTENÇÃO SOFTWARE

 

 

DESPESAS DIVERSAS DE ASSESSORIAS

 

 

 

 

 

 

 

 

MATERIAL DE LIMPEZA

 

 

SEGUROS DA EMPRESA (PREDIO E VEÍCULO)

 

DESPESAS

SEGUROS DOS FUNCIONARIOS

 

OPERACIONAIS

CONSUMO INTERNO - MATERIAL ESCRITORIO

 

ADMINISTRATIVAS

FAXINA (CASO NÃO SEJA FUNCIONARIO)

 

 

COBRADOR (CASO NÃO SEJA FUNCIONARIO)

 

 

ENTREGADOR (CASO NÃO SEJA FUNCIONARIO)

 

 

 

 

 

 

 

 

ALUGUEL

 

 

ENERGIA ELÉTRICA

 

DESPESAS

ÁGUA / ESGOTO

 

OPERACIONAIS

TELEFONE - INCLUIR CELULAR DO PROPIETÁRIO

 

FUNCIONAMENTO

EMBALAGENS E IMPRESSOS

 

 

MANUTENÇÃO DE INSTALAÇÕES – REFORMAS –  MÓVEIS.

 

 

DESPESAS DE VIAGEM / REPRESENTAÇÃO

 

 

CRF - SINDICATO PATRONAL - ALVARA - IPTU

 

 

 

 

 

 

 

LUCRO OPERACIONAL

 

 

 

DESPESAS FINANCEIRAS

JUROS CHEQUE ESPECIAL

 

CPMF

 

TAXAS BANCARIAS E CHEQUES DEVOLVIDOS

 

 

 

 

 

 

 

INVESTIMENTOS

AMORTIZAÇÃO DE INVESTIMENTOS

 

 

 

 

 

 

 

LUCRO LÍQUIDO

 

 

         Este tipo de demonstrativo pode ser obtido por vários tipos software de gestão farmacêutica. O importante é alimentar os dados e analisar as informações.

 

         A Gestão farmacêutica envolve outras áreas como: Legislação Farmacêutica, Organização e Controle, Gestão de Recursos Humanos, Compras, Gestão de estoque e Marketing além da Contabilidade e Análise Financeira.

 

         Não basta somente vender. O que realmente é determinante é o lucro obtido.

 

         Para que tudo funcione bem é preciso planejamento. Saber o quê, quem, quando, como e quanto são as perguntas básicas.

 

         Bom trabalho!

 

         Dra. Giovanna Dimitrov

         Consultora Farmacêutica

         CRF SP 15.794

         www.marcad.com.br



 

 

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